[ Entrevista ]

Rosana Negrão, uma mente que brilha
10/7/2006 - 14h50

São Paulo (SP) - Obstinação, esperança e fé. Essa tríade, na opinião do escritor baiano Jorge Amado, compunha a saga de um vencedor. Fé no sentido mais puro da palavra, já que ele era ateu convicto.

E essa frase do escritor baiano foi seguida à risca por uma mulher mineira que, a ela, juntou trabalho, trabalho, e mais trabalho: "Sou mineirona mesmo. Total ", diz.

Rosana Negrão tem 42 anos. Nasceu a 14 de maio de 1964, em Itanhomi, norte de Minas Gerais. Tempos de turbulência política, mas de muita estabilidade econômica para sua família: "Meu avô era um fazendeiro rico. Morei até os três anos na Fazenda Quirino. Era um lugar fantástico. Me arrepio quando falo disso ".

A vocação da menina que gostava de colecionar pedras se refletiria anos mais tarde, exatamente aos 39, quando resolveu montar seu próprio negócio: uma joalheria. Era o momento máximo da obstinação, esperança, fé...e trabalho.

"Eu vim para São Paulo muito cedo. Meu pai (Vander José da Silva) era um homem pobre. Quando ele casou com minha mãe (Maria da Penha Silva) foi obrigado a sair de Itanhomi. E minha vida mudou de forma inesperada ", diz Rosana.

Deste período, as lembranças que ela guarda com mais carinho são as férias anuais que passava na fazenda do avô: "Lá tem um quarto que fica de frente para uma montanha, que é um absurdo de gigante. Eu sempre dizia que queria que aquela pedra (montanha) fosse minha. E parece que vai ser mesmo.A família já está dividindo a herança e a montanha vai ser da minha mãe. Em um dia e meio eu só consegui escalar metade dela ".

Com orgulho, Rosana fala da região onde nasceu: "Itanhomi, em indígena, quer dizer pedra escondida. Na lenda isso significa que se você encontrar uma delas, vai achar coisas ainda mais valiosas ", garante.

Rosana Negrão nasceu na região brasileira que produz mais pedras preciosas. Itanhomi, por exemplo, fica entre Governador Valadares e Teófilo Otoni.

"Teófilo Otoni tem demais, mas Governador Valadares é o principal pólo de comércio de pedras preciosas do país. Lá existe toda a família do quartzo, além das turmalinas que são trazidas de Ouro Preto. Teófilo Otoni tem as jazidas, mas todo comércio vem para Governador Valadares, que é uma cidade linda em termos de pedras."

Desde pequena, ela era fascinada por pedras e jóias: "Eu sempre gostei de jóia. Não tinha dinheiro, não podia comprar uma jóia, mas bijuteria não comprava. Eu queria ouro, era muito metida. Pensava: 'se tiver que comprar eu vou juntar um dinheirinho, mas compro jóia'".

O seu primeiro emprego oficial foi no mercado financeiro, aos 18 anos, como recepcionista, entregando talões de cheque, no antigo Banco Nacional. "Antes, eu vendia cosméticos e roupas. Comecei com 12 anos. Minha mãe é costureira e aprendi um pouco com ela. Comprava lá no Brás e revendia para amigas da escola, do bairro e para clientes da minha mãe. Sempre gostei do comércio, vocação que herdei do meu pai ", afirma.

Aos 16 anos, Rosana resolveu alçar vôos mais altos: "Atravessei a Ponte da Amizade e fui para o Paraguai. Fazia o bate-e-volta. Vinha de lá com perfumes, relógios, calça jeans e tênis All Star. Tenho muitas histórias para contar. Uma vez o motorista deu o alarme: ‘Vocês têm 20 minutos para salvar o que puderem ’. Eu não entrei em pânico. Estava com excesso de bagagem. Coloquei cinco relógios no braço, vesti três calças e duas jaquetas jeans. Sai com tudo no corpo, e não perdi nada ".

Primeiro carro

Aos 18 anos, Rosana comprou o primeiro carro: "Fruto das reservas que fui acumulando. Eu dava dinheiro para minha mãe. Ajudava com o que podia. Sou a mais velha de um total de cinco irmãos que ajudei a criar. Foi uma vida muito difícil. A vinda da fazenda para São Paulo acabou, na época, com a riqueza da minha mãe."

Rosana se emociona ao falar destes tempos: "Até eu ter o meu filho (Gabriel) que hoje está com quatro anos, pensava: ‘Não gerei ninguém da minha barriga. Mas já me sinto mãe, porque ajudei a criar meus quatro irmãos’. Resolvi ter um filho, e fui mãe aos 37 anos. A coisa mais maravilhosa do mundo. Estou casada há sete anos com o Sérgio (Gomes Negrão). Uma união maravilhosa".

Das recordações de infância, uma imagem linda que Rosana guarda aconteceu no Natal de 1971: "Meu pai não tinha dinheiro. A gente levava uma vida sofrida. Ele estava trabalhando como segurança de uma firma, mas naquele Natal conseguiu me dar uma boneca maior do que eu. Lembro com muito carinho disso."

Mercado financeiro

No mercado financeiro, atingiu o máximo dentro da carreira, depois de 21 anos na área: "Comecei no Nacional e fui para o Banco Safra a convite. Cheguei ao posto de gerente geral regional. Daí para frente, uma nova promoção seria um cargo de diretora. Só que eu não tinha tempo para mais nada. Entrava às 8 da manhã e saía às nove da noite. Decidi que era hora de mudar, respirar novos ares e dedicar mais tempo à família ".

Rosana diz que, antes de tomar a decisão, teve que pensar muito: "Sou taurina, pé no chão até demais. Por esse motivo, decidi sair".

Nesse momento, há dois anos, desaparecia a figura da vendedora e executiva, para surgir a Rosana Negrão empresária.

Fortalecimento

A empresária explica que esses dois primeiros anos de atividade serviram para fortalecer o nome da grife.

Ela explica que para competir com marcas famosas é preciso marcar bem o nome: "Procuro aliar qualidade com preço. É fundamental. Quando estava no sistema financeiro estruturei projetos para grandes empresas. E também vi grandes nomes quebrarem. Aprendi ali a ver o que eu não queria para mim."

Hoje Rosana tem um consultor empresarial para ajudá-la na administração: "A matéria prima é muito cara. O grama do ouro, por exemplo, custa R$41,00. É preiso muito equilíbrio. Aprendi a ajustar horários, sem que ninguém me cobre. Mas ainda espero me organizar mais para trabalhar menos e ter uma qualidade de vida melhor."

Lado social

"Eu já nasci ajudando". A frase marca bem a personalidade da empresária. Preocupada em ajudar o próximo, participa de ONGs (Organizações Não-Governamentais) de cunho social.

Ela conta que resolveu guardar todo o papel descartável da sua empresa para ajudar a ONG ABRE -Associação Brasileira de Redistribuição de Excedentes.

"Essa ONG ajuda 44 instituições de extrema carência. Em um mês conseguimos arrecadar R$350,00 para os catadores de papel de rua. É muito legal esse trabalho. Beneficia pessoas e deixamos de poluir o planeta."

A atividade social de Rosana não pára por ai: "Sou conselheira e consultora financeira de marketing e eventos da ABRE. Agora fui convidada para fazer parte da diretoria da ONG Florescer. O trabalho deles é lindo. No final do ano passado, tive o privilégio de me vestir de Mamãe-Noel para presentear 950 crianças da favela Paraisópolis. Foi muita emoção. E meu filho estava junto", fala.

Rosana ainda arruma tempo para colaborar com o Centro de Apoio à Criança com Câncer. E para não deixar o estresse dominá-la, resolveu fazer uma clínica de golfe: "Me surpreendi porque consegui ficar duas horas e meia no campo. A sensação foi muito boa, você se equilibra ao ver a natureza. Fiquei feliz com o meu desempenho. Fui a melhor entre cinco mulheres", comemora.

Mundo das jóias, um sonho realizado

Rosana Negrão começou a fincar pé no mundo das jóias com o cunhado Paulo Negrão (um dos designers da grife) que fez toda a coleção das colônias judaica e espanhola na novela Esperança, da Globo, que foi ao ar em 2002: "Sempre admirei jóias. Mas comecei a me inteirar mais do assunto naquele momento, com meu cunhado. "

Começou então a pesquisar o assunto: "Quando decidi fundar a R Metais Comercial Ltda (detentora da grife Rosana Negrão Jóias), há dois anos, vendi todas as jóias que havia colecionado. O meu acervo particular serviu como ponto de partida para a criação da empresa", fala com orgulho.

A primeira peça que fez foi para atender o pedido de uma cliente. "O que me deixou entusiasmada mesmo foi quando criei o brinco Lady, da coleção Golf. Eu ia mandar desmanchar porque achei que havia ficado muito pesado, caro".

Ela explica que havia dado um limite de peso para que o ourives trabalhasse no brinco: "Falei para ele: ‘você não vai trabalhar com mais de oito gramas por orelha’. Quando ele me ligou disse que cada peça tinha 11 gramas de ouro. Falei que estava louco, mas ele pediu para que eu visse a jóia. Quando olhei para o par de brincos, liguei para a Bete (designer da coleção Golf) e disse: ‘Você não tem noção de como está linda. Essa jóia vai colocar a joalheria top do mercado no chinelo. É uma obra de arte. Eu estava muito, mas muito orgulhosa mesmo."

Rosana abre o coração para dizer que é mística, que tem um lado espiritual profundo: "Esse meu lado é maravilhoso. É delicioso e me sinto realizada. Costumo dizer que ‘quem estiver junto comigo, vai crescer junto ’. Não sou de virar as costas para quem colaborou e me ajudou."

Ela explica que uma das formas que encontrou para enfrentar a concorrência pesada foi a de criar nichos especializados: "Hoje,o nome Rosana Negrão é a grife do golfe. E temos outros segmentos, como o country e empresarial. Para as empresas, crio jóias personalizadas e não comercializo essas criações."

A empresária define o que espera da grife: "A Rosana Negrão vai incomodar joalherias de peso".

 
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