[ Entrevista ]

Fabiano dos Santos chora ao ser desclassificado no Itanhangá
9/12/2005 - 12h11
Ivo Simon

Rio de Janeiro (RJ) - Um dos mais talentosos e completos golfistas do Brasil, o jovem Fabiano dos Santos chorou ao não se classificar entre os 30 finalistas no LG Vivo Championship,  no campo do Itanhangá. "Pensei em desistir do golfe. Para jogadores como eu, que se dedicam apenas a torneios, está muito difícil sobreviver no País".

Nesta entrevista exclusiva para Golfexpress, Fabiano abre o coração, conta como faz para viver e chama a atenção dos patrocinadores:  "Temos muitos profissionais bons no Brasil que precisam de apoio".

Golfexpress Classic: O que o profissional precisa para crescer no Brasil?

Fabiano dos Santos: Faltam mais patrocinadores e investimentos. É muito bom o
apoio de empresas grandes como LG, Vivo, Samsung e Unibanco, mas há muitas
outras. Jogadores bons têm muitos; faltam condições para se dedicarem somente ao profissionalismo.

GC: Por que as empresas não patrocinam jogadores?

FS: Algumas acham que não terão retorno. Os profissionais que estão na diretoria da ABPG poderiam organizar clínicas com esse pessoal, para eles enxergarem os profissionais que o Brasil tem, e que devem fazer eventos não só com amadores. Nós damos retorno também.

GC: Nesse momento, o que passa pela sua cabeça?

FS: Em primeiro lugar, preciso conseguir patrocínio. Esse foi o ano mais difícil. Dependo de golfe, não sou professor. Um coreano me ajudava, mas agora no final do ano parou por causa da falta de torneios. Quero jogar fora, no Tour de Las Americas ou no Japão. Tive convite para ir para Portugal. Acho que vai ser melhor do que aqui. Aí voltaria ao Brasil na época de torneios, de setembro para frente.

GC: Com o que você ganhou em 2005, deu para viver?

FS: Tive problema financeiros. Inclusive, estou com um jogo de tacos que não tem condições de uso. Mas não dá para trocar. Tenho jogado até com tacos emprestados. Aqui no Brasil é muito diferente do exterior. Lá eles ganham para usar o taco, aqui a gente paga. Eu estou nessa confusão, treino com um taco, jogo o torneio com outro, porque o meu não tem condição. Foi apertado, precisava ganhar dinheiro num torneio e guardar para jogar o outro.

GC: Você está devendo dinheiro?

FS: Para ser franco, estou.

GC: Como sobreviveu durante o ano?

FS: Não foi fácil. Joguei cinco torneios. Chegamos a ficar cinco meses sem. Se não fosse o coreano me ajudar até o meio do ano, as coisas teriam sido bem piores.

GC: Como você sustenta a família, se não ganha?

FS: Minha esposa trabalha, é professora. Se falta alguma coisa em casa, ela está por trás para dar uma força.

GC: Está frustrado por ter encarado essa profissão e de não ter o reconhecimento merecido?

FS: Sim. É um esporte tão caro e nós profissionais não somos reconhecidos aqui. Penso que tenho condições de me dar bem lá fora.

GC: Quando você diz "ir para fora", é por que não tem mais como participar de torneios no Brasil?

FS: No Brasil a situação pode até melhorar, mas acho que vai demorar muito.

GC: Com o seu potencial, onde você acredita que poderia chegar num circuito mundial?

FS: Não sei se teria condições de entrar num PGA Tour, porque tudo depende de ritmo de jogo. No ano passado, joguei todos os torneios bem. Em dois joguei mal, porque estava com o drive quebrado e nem sabia. Meu caddie que viu, no torneio que ganhei na Quinta da Baroneza, que o taco estava quebrado. Então, troquei. Sem ritmo de jogo não dá para falar.

GC: Qual a solução?

FS: Conseguir patrocinadores num projeto legal, ter torneios e fazer treinamentos para levar jogadores para fora. Isso com certeza dá algum resultado.

GC: Alguma vez este ano você pensou em parar?

FS: Para ser sincero, pensei neste torneio LG. Foi o mais importante e acho que não tive tanta pressão no primeiro torneio que disputei quanto neste. Joguei mal no primeiro dia e não tive chance de passar do segundo. Aí pensei mesmo em parar de jogar.

GC: Ficou muito triste com o resultado?

FS: Cheguei até a chorar no campo.

GC: E por que aconteceu isso? Muita pressão de ter que jogar bem?

FS: Eu já estou pensando no ano que vem. O primeiro torneio, se tiver, será o PL em maio. Então de dezembro até lá vou fazer o quê? Não dou aula e não faço outra coisa. Se não conseguir patrocínio e alguma chance de ir para fora, vou ter que parar.

GC: O que você fala para sua mulher sobre isso?

FS: Ela compreende. O ano passado foi excelente, não tive dificuldades, tinha um torneio atrás do outro. Se não fosse bem em um, ficava sossegado porque sabia que logo teria mais um. Ela não reclama, sabe que eu tenho condições e me apóia.

GC: Quanto você ganhou nesse torneio?

FS: Tive só a participação do Pro-Am, 500 reais.

GC: E quanto gastou para jogar o torneio?

FS:Tirei do bolso uns 800 reais. Economizei em tudo que pude. Vim de São Paulo com mais dois amigos no carro para dividir a despesa, senão gastaria ainda mais.

 
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