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Seis séculos de golfe
19/10/2005 - 11h59
Ivo Simon

A Escócia é considerada mundialmente como o berço oficial do golfe e essa parece ser a versão mais correta, pois não há fatos da comprovação de que o esporte tenha sido jogado antes em outro país.

Tudo começou, aparentemente, com os pastores escoceses que, para preencher as horas ociosas, ou na volta para casa, batiam com seus cajados em pequenas raízes ou pedras para ver quem jogava mais longe.

Quando esses objetos caíam nas cavidades feitas pelos pés das ovelhas, na lama onde elas chafurdavam ou em buracos feitos por coelhos, eles gostavam porque podiam descobrir quem tinha mais habilidade para sair daquela dificuldade. Assim teria nascido o objetivo do jogo: caminhar, bater num objeto que naturalmente evoluiu para a bola, sair de dificuldades (os ``azares`` de hoje) e colocar a bola em um buraco. Outra versão diz que pescadores também tinham o mesmo hábito dos pastores.

Entre todos os relatos históricos, o certo é que o jogo se tornou mais conhecido com a fundação da Universidade de St. Andrews, em 1411, e muitos estudantes passaram a praticá-lo pelos campos.

Mais um fato que pesa a favor dos escoceses foi a ordem do rei Jaime II ao Parlamento Escocês, em 1457, determinando a proibição de golfe e futebol, por motivo de segurança nacional. Segundo o rei, uma decisão justa, já que os guerreiros escoceses perdiam horas pelos campos e se descuidavam do treinamento com o arco e a flecha, deixando de ser eficientes na guerra contra a Inglaterra.

Outras origens são mencionadas, entre elas o jogo romano chamado paganica, praticado nos séculos XVII e XVIII, em que se utilizava uma bola de couro e uma vara curva. Há ainda os que acreditam que foi o jeu de mail, antigo jogo francês que tinha algumas semelhanças com o golfe, mas com a grande diferença de ser praticado em espaços fechados.

Paisagens pintadas por artistas holandeses e flamengos mostram homens andando ou esquiando no gelo, onde cada um empunhava um taco grande e curvado na cabeça, com uma grande bola perto, que datam de aproximadamente 1600.

A palavra golfe provém do inglês golf que, por sua vez, vem do alemão kolb, que significa taco. Mas as primeiras regras do golfe de que se tem notícia também foram elaboradas na Escócia, pela Honourable Company of Edinburgh Golfers, entidade criada no século XVII. As regras do golfe, tal como são conhecidas hoje, foram definidas no século XVIII, no ano de 1744, na cidade de Edimburgo.

DEFINIDAS AS REGRAS

Em 17 de março de 1744, o Conselho da cidade de Edimburgo doou um taco de prata para ser disputado anualmente no campo de cinco buracos de Leith. O cirurgião John Ratray foi o campeão do primeiro torneio oficial de que se tem registro e, em homenagem à sua competência, foi nomeado "Captain of Golf", cabendo a ele resolver as questões relativas às regras do esporte, até então com diferentes interpretações, conforme a região.

Para esse torneio, aberto a golfistas da Inglaterra e Irlanda, foi elaborado um pequeno regulamento do jogo. Só dez anos mais tarde, em 1754, um grupo de golfistas em St. Andrews daria a redação definitiva às regras de Edimburgo, publicando uma relação de 13 ítens que formam a base das 37 hoje existentes.

A modalidade match play foi a primeira e única forma de disputa do golfe até 1759. Nesse ano, os membros da Society of St. Andrews Golfers organizaram o primeiro torneio de stroke play, mas os jogadores não gostaram e voltou a tradicional modalidade match play. Em 1764, o campo de St. Andrews foi modificado para 18 buracos, medida que acabou sendo padronizada em todo o mundo, e favoreceu a realização de novos torneios de stroke play.

OS TIPOS DE BOLA

Até 1848 jogava-se com uma bola de couro com miolo de penas. Neste ano, surgiram as moldadas em gutta-percha, um sumo extraído de uma árvore da Malásia e da Índia, que se solidifica ao secar. A nova bola deu impulso ao golfe, permitindo inclusive o surgimento dos primeiros profissionais do esporte.

As bolas passaram por nova evolução em 1899, com a invenção de uma com núcleo de borracha, por um golfista amador americano, Coburn Haskell. Em 1902, chegou-se à bola de três componentes, composição básica que permanece até hoje, naturalmente com as modificações impostas pelas modernas tecnologias: um núcleo de borracha sólida, envolto por tiras de elástico sob tensão e coberto por fina camada de gutta-percha pintada de branco.

Com a nova bola, a precisão e a eficiência das tacadas aumentaram muito, obrigando à ampliação dos campos de golfe existentes. Assim, os campos que tinham cerca de quatro quilômetros de percurso, foram ampliados para seis quilômetros, em média.

Em 1922, a United States Golf Association padronizou pela primeira vez as medidas da bola de golfe: não ter menos de 1,68 polegada de diâmetro (4,26cm), não pesar mais de 1.62 onça (43,23g) e não ultrapassar 250 pés por segundo (76,2m) nos testes de velocidade inicial.

Milhões de dólares foram investidos ao longo dos anos em pesquisas sobre matérias primas, durabilidade, desenho e tecnologia de aerodinâmica para produzir uma variedade de características de jogo em termos de rotação, distância e trajetória, para melhorar o desempenho da bola no ar.

A MUDANÇA NOS TACOS

Os tacos de golfe mudaram muito desde o início do esporte. A par do que diz a história de que os tacos não passavam de galhos de árvores com formatos apropriados, eram os jogadores que confeccionavam seus próprios tacos.

William Mayne, de Edimburgo, é apontado como o primeiro fabricante de tacos e lanças do rei James VI, em 1603. Os tacos mais antigos de que se tem notícia são seis madeiras e dois ferros que estão expostos no Golf Club de Troon, na Escócia, e que teriam sido feitos por Andrew Dickson, de Leith, ou Henry Mill, de St. Andrews.

Com os fabricantes, chegou a evolução técnica. Douglas McEwans passou a fabricar a cabeça dos tacos em madeira de árvores plantadas horizontalmente em barrancos, criando uma curva natural para o pescoço do taco. A maioria das cabeças dos tacos era feita de árvores frutíferas como macieira, pereira e cerejeira, até que se descobriu o nogal, uma árvore resistente e de veias grossas.

Depois dos tacos de madeira chegaram os ferros, com cabeças quadradas e angulosas, que sofreram modificações sensíveis a partir do século XIX. Mas como as bolas eram de penas, os ferros causavam grande estragos e só eram utilizados em ocasiões especiais. Depois, os tacos passaram a ser divididos em quatro tipos: drivers, spoons, irons e putters.

A sofisticação do jogo e a concorrência obrigaram os fabricantes a desenvolver técnicas cada vez mais refinadas para aumentar a durabilidade e confiabilidade dos tacos. As indústrias passaram a produzir os tacos em série, com materiais mais adequados. A partir de 1924, foram utilizados o aço e o carbono. Nos dias de hoje já se utiliza titânio.

Com a industrialização, os jogadores chegavam a levar 20 tacos na bolsa. A evolução técnica dos produtos, porém, estava levando o golfista a se preocupar mais com a eficiência do equipamento do que com o aperfeiçoamento de sua habilidade. Assim, em janeiro de 1938, a USGA decidiu que o jogador só poderia utilizar 14 tacos. No ano seguinte, o R&A referendou a decisão.

Os tacos continuaram a evoluir e hoje o mercado apresenta uma infinidade de modelos. Cabe ao golfista definir aquele que se encaixa melhor em seu estilo, sabendo que sempre haverá aperfeiçoamentos que representarão jogadas mais corretas.

A NOVIDADE DAS BOLSAS

As bolsas apareceram no final do século XIX. Até essa época, o golfista ou seus ajudantes carregavam os tacos nas mãos. Uma fotografia de 1880, no Suil Kind Bridge, em St. Andrews, mostra quatro jogadores famosos e ajudantes levando sete tacos cada um. Em outra foto, de 1900, num clube de Wimbledon, em Londres, cada ajudante já carrega uma bolsa. Segundo a história, o desenvolvimento da qualidade das bolsas aconteceu com a criação da rede nacional de estradas de ferro, o que passou a exigir maior proteção no transporte dos tacos. Segundo registros, a primeira bola de lona foi desenvolvida por um fabricante de velas de navegação de Appleton, em North Devon, perto de Westward Ho.

Com as bolsas, o jogador ou seu caddie chegavam a carregar até 25 tacos, até que em 1930 o R&A fixou em 14 o número máximo de tacos a serem utilizados pelo jogador em cada partida.

A EVOLUÇÃO DOS SAPATOS

Os jogadores de golfe, antigamente, utilizavam seus próprios sapatos, botas ou polainas. As mulheres usavam botas compridas, abotoadas e as pessoas menos abastadas as mesmas botas com que trabalhavam nos campos.

Mas a necessidade de ter maior firmeza no solo fez com que fossem criados sapatos especiais para o esporte, por volta de 1930, com cravos de borracha colados à sola.

Os modernos sapatos utilizados para jogar golfe são leves e desenhados, especialmente, para oferecer conforto e maleabilidade na execução dos golpes. Além disso, os cravos podem ser substituídos, são impermeáveis e protegem contra o frio e a umidade.

LUVAS FINAS

Surgem por volta de 1920 nos Estados Unidos e são popularizadas na Grã-Bretanha por Henry Cotton. Ela deve ser fina para permitir a sensibilidade das mãos durante o movimento. Alguns jogadores chegam a usar luvas nas duas mãos, mas o usual é o destro usar luva na mão esquerda e o canhoto, na mão direita. No putt, porém, a luva não é utilizada já que se trata de um golpe que não exige força, mas total sensibilidade das mãos.

Alguns experts afirmam que a sensibilidade nos dedos junto ao taco é tão importante que nunca se deveria usar luvas. A maioria, porém, entende que a luva possibilita um grip mais firme e que o suor, em situações de umidade elevada ou mesmo de chuva, torna a mão escorregadia dificultando o golpe e que, além disso, ela evita a formação de bolhas e calos nas mãos.

EQUIPAMENTO PARA DIAS DE CHUVA

O golfe é um dos poucos esportes que se pode praticar em dias de chuva, desde que não ocorra alagamento no campo e não haja tempestades com raios.

Guarda-chuva, capa e toalha são indispensáveis, mas de materiais apropriados, que sejam úteis e leves. Os produtos modernos fornecem proteção e permitem a transpiração normal do corpo.

Em dias de chuva, é preciso cuidado para manter secos o grip dos tacos e secá-los sempre que se molhem. A bolsa deve ter uma proteção para evitar que se molhe por dentro.

CARRINHOS SURGEM APÓS A GUERRA

Surgiram depois da Segunda Guerra Mundial, com o aumento do número de golfistas. Os primeiros eram de puxar, tinham rodas estreitas e marcavam o gramado, mas logo o problema foi eliminado com o uso de rodas largas.

No Mundial de 1958 foi utilizado pela primeira vez um carrinho elétrico, em St. Andrews, para transportar o capitão americano Robert T. Jones Jr., o incomparável campeão do Grand Slam de 1930 que, por ser deficiente, foi autorizado a utilizar o veículo.

Os carrinhos elétricos começaram a se tornar mais populares a partir de 1970. O objetivo foi o de fazer o jogo andar mais rápido para que mais pessoas possam estar no campo ao mesmo tempo.

Para não danificar os fairways, a maioria dos campos constrói caminhos especiais para os carros, de forma que o jogador já não precisa caminhar, apenas jogar.

Nos Estados Unidos, o uso do carrinho é obrigatório em muitos campos, mas muitos jogadores discordam, especialmente na Grã-Bretanha, afirmando que o objetivo do golfe é caminhar em contato com a natureza.

 
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