[ Saiba tudo > História do golfe no Brasil ]

Esporte chegou ao Brasil no século 19
19/10/2005 - 12h2
Ivo Simon

O golfe veio para a América do Sul por iniciativa de engenheiros e funcionários de empresas escocesas e inglesas que trabalhavam na construção de estradas de ferro. Chegou à Argentina em 1878 e pouco depois ao Brasil, no final do século XIX, quando começou a construção da São Paulo Railway, a famosa SPR, em São Paulo. Pouco depois monges beneditinos foram convencidos a ceder parte do terreno do Mosteiro de São Bento para a construção de um campo de golfe, na região situada entre a atual Estação da Luz e o rio Tietê.

A expansão da cidade obrigou a transferência do campo, em 1901, para o Morro dos Ingleses, próximo à confluência das avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antônio, dando origem ao São Paulo Country Club. O primeiro campeonato interno foi realizado dois anos depois, em 1903, e o campeão foi J. M. Stuart.

Poucos anos mais tarde, o clube foi transferido para o Jabaquara e, em 1915, para um terreno cedido pela Light & Power, em Santo Amaro, adotando o nome de São Paulo Golf Club. É o clube mais antigo do Brasil.

No mesmo ano, surgiram no Brasil mais dois campos, o Santana do Livramento Golf Club, no Rio Grande do Sul, e outro na cidade de São Vicente, no litoral de São Paulo, num terreno entregue a Henrique Lisboa Wright como pagamento de uma dívida e que foi transformado num campo de golfe de nove buracos. Wright era avô de Jesse Rinehart Jr., que, anos mais tarde, seria um dos fundadores e primeiro presidente da Confederação Brasileira de Golfe.

No Rio de Janeiro, na década de 20, nasceu o Gávea Golf & Country Club, encravado entre o mar e as montanhas, um dos campos mais bonitos do mundo. Na década de 30, surge o Itanhangá, com um percurso bem diferente do atual. O campo era muito fácil e, segundo dizem, o objetivo era facilitar o jogo do presidente Getúlio Vargas, que não tinha um desempenho tão bom no difícil campo do Gávea.

Na mesma época, foram construídos o Porto Alegre Country Club, no Rio Grande do Sul, e o Graciosa Country Club, no Paraná. Muitos outros surgiram a partir de então e hoje há campos de golfe em boa parte dos estados brasileiros.

CAMPEONATO AMADOR

A Taça Hart, disputada alternadamente em São Paulo e Rio de Janeiro, inaugurou a série de competições no país. Era disputada por apenas duas equipes de oito jogadores cada, representando o Gávea e o São Paulo Golf Club.

O primeiro Campeonato Amador do Brasil foi realizado no Rio de Janeiro, em 1929, e vencido por S.G.MacGregor. Mas só em 1938 um brasileiro venceu pela primeira vez: Seymor G. Marvin, no Gávea. Seymour foi o primeiro brasileiro que aprendeu a jogar golfe no Brasil.

Em 1939, apareceu um garoto gaúcho chamado Mário Gonzalez, em Sant`Ana do Livramento, Rio Grande do Sul, e com apenas 17 anos ficou com o título, iniciando uma série de conquistas que marcariam para sempre a história do esporte no Brasil. O jovem gaúcho monopolizou os campeonatos brasileiros de amadores até 1949 quando, depois de vencer pela nona vez, profissionalizou-se e transferiu-se do São Paulo para o Gávea, no Rio de Janeiro.

Outros bons jogadores surgiram na época no país, como Walter Ratto e Humberto Almeida. Ratto chegou duas vezes à final do Amador do Brasil, perdendo ambas para Mário Gonzalez.

Almeida chegou pela primeira vez à final do campeonato em 1949, mas perdeu para o imbatível Mário Gonzalez, no Gávea. Cinco anos depois, em 1954, Humberto chegava novamente à final do campeonato, mas perdia para outro Gonzalez, José Maria Gonzalez Filho, o ''Pinduca'', irmão de Mário. Dez anos mais tarde, em 1964, Humberto conseguiu o merecido título ao derrotar Sylvio Pinto Freire no campo do São Fernando Golf Club, em Cotia, São Paulo.

Antes disso, porém, o golfe brasileiro foi dominado, em épocas distintas, por dois jogadores. José Maria Gonzalez Filho assumiu o comando com a passagem do irmão para o profissionalismo e durante quatro anos conquistou todos os torneios. Embora suas vitórias nunca fossem tão dilatadas como as de Mário, também foram folgadas. Em nenhum desses quatro anos ele precisou jogar o 35º buraco para conquistar o título de campeão brasileiro.

Em 1957, "Pinduca" tornou-se profissional, representando o São Paulo Golf Club até meados dos anos 90. Embora nunca tivesse conquistado o Campeonato Aberto Brasileiro, "Pinduca" teve atuação destacada nos anos de 1954, quando ainda era amador, e 1964. Nas duas oportunidades ficou em sexto lugar.

Quando ``Pinduca`` passou ao profissionalismo, o primeiro a conquistar o Amador Brasileiro foi o gaúcho Fernando Chaves Barcellos, em 1956, depois de ter perdido duas finais contra José Maria Gonzalez Filho, em 1953 e 1955. Barcellos, outro dos maiores jogadores de golfe brasileiros da história, voltaria a ser campeão em 1963, quando venceu José Joaquim Barbosa.

Em 1959, o golfe amador brasileiro voltou a ser dominado por apenas um jogador, Robert Falkenburg, norte-americano e ex-campeão de Wimbledon. Durante três anos, Bob repetiu o que Mário e "Pinduca" haviam feito, conquistando todos os campeonatos disputados. Não foi um período fácil para os brasileiros. O argentino Roberto Benito venceu o campeonato em 1958 e Bob Falkenburg de 1959 a 1961.

Outro destaque do golfe brasileiro na época, Carlos Sózio, foi o melhor amador no Aberto de 1961 e chegou ao título de campeão amador do Brasil em 1962, vencendo na partida final seu irmão Nestor.

Em 1994, um novo marco para a história. O brasileiro Alexandre Rocha, com apenas 16 anos, torna-se o mais jovem ganhador do torneio. Em 1997 ele voltou a conquistar o título.

As mulheres começaram a disputar o Amador do Brasil em 1950. A primeira campeã foi Marina Nioc. Carola Zappa foi bicampeã em 1958 e 1959. A seguir surgiu Sara Raby que foi campeã em 1960 e 1961 e novamente em 1963. Yolanda Figueiredo, que havia sido campeã em 1955, voltou a vencer dez anos depois, em 1965.

Em 1967, a gaúcha Elisabeth Nickhorn ganhou o título pela primeira vez, iniciando uma incrível série de vitórias, totalizando 17 títulos em 1998, feito difícil de ser superado. Nesses 30 anos, outras jogadoras ganharam o título mais de uma vez: Maria Alice Gonzalez (1975, 1978 e 1986), Cristina Schmitt (1987 e 1988), Luciana Benvenutti (1989, 1990 e 1991), Isabele Lodigensky (1993 e 1995) e Maria Cândida Hannemann (1997 e 2000).

OS ABERTOS

O primeiro Campeonato Aberto do Brasil foi realizado no Rio de Janeiro, no Gávea Golf & Country Club, em 1945. O argentino Roberto de Vicenzo quebrou o recorde do campo na volta de abertura com 65 tacadas, mas o vencedor foi seu compatriota Martin Pose.

Ainda como amador, Mário Gonzalez Filho conquistaria seu primeiro título do Aberto do Brasil no ano seguinte, o primeiro dos oito que ganhou (1946, 1948, 1949, 1950, 1951, 1953, 1955, 1969).

O Aberto do Brasil de 1952 foi o primeiro a ter a presença de jogadores dos Estados Unidos. Sam Snead venceu com 17 tacadas abaixo do par. Em 1954, Roberto de Vicenzo venceu, mas foi o primeiro grande campeonato internacional com a presença dos americanos Bob Toski, Ted Krol, Walter Burkemo, que havia vencido o PGA Championship, e Frank Stranahan, campeão do British Open de 1948.

Nos anos seguintes, muitos estrangeiros de renome participaram do torneio. Billy Casper, Peter Allis, Gene Litter, Gary Player, Lanny Wadkins, Ray Floyd e Jerry Pate.

Em 1971, o americano Bruce Fleischer venceu, numa disputa surpreendente com o brasileiro Jaime Gonzalez, de apenas 16 anos. Jaime assumiu a liderança no terceiro dia e, na volta final, Fleischer embocou um longo putt para ir ao playoff. No terceiro buraco do desempate, Jaime tentou um putt de cinco metros para birdie. A bola saiu perfeita, mas desviou ligeiramente e parou ao lado do buraco, dando a vitória ao americano.

Em 1974, o sul-africano Gary Player foi responsável por um dos momentos marcantes do campeonato, ao bater um recorde mundial, no Gávea, jogando 59 tacadas, a melhor volta da história dos abertos mundiais. Até hoje, essa marca só foi igualada por mais cinco vezes em circuitos profissionais dos Estados Unidos.

Os estrangeiros ganharam por diversas vezes. Dois argentinos fizeram história, Roberto de Vicenzo, hexacampeão (1954, 1957, 1960, 1963, 1964 e 1973) e Vicente Fernandez tricampeão (1977, 1983 e 1984). O paraguaio Pedro Martinez foi bicampeão (1988 e 1990).

Depois de 1969, o Brasil voltou a vencer com Priscillo Diniz (1975), Eduardo Caballero (1986 e 1993), Ricardo Mechereffe (1992), Eduardo Pesenti (1995) e Ruberlei Felizardo (1996).

Em 1998, o argentino Angel Cabrera foi campeão com 19 abaixo do par, recorde do campo do São Paulo Golf Club.

TORNEIOS INTERNACIONAIS

O Brasil estreou em competições internacionais na Copa Los Andes, quando foi convidado a jogar no Chile em 1952. A equipe foi constituída por Seymour G. Marvin, Humberto de Almeida, Francisco Matarazzo, Mario Simonsen e Daniel J. Brand.

A Copa Los Andes era disputada por Argentina, Chile e Uruguai, mas com a entrada do Brasil e Peru nesse ano, e depois por outros países, transformou-se no Campeonato Sul-americano.

A competição foi realizada no Brasil pela primeira vez em 1954, no São Paulo Golf Club, quando a equipe brasileira foi campeã do evento. Retornou ao país em 1972 e 1982, também no São Paulo Golf Club, com novas vitórias da equipe nacional. Em 1992, foi realizada no Rio de Janeiro, no Itanhangá Golf Club, e o Brasil ficou em terceiro lugar.

A equipe nacional masculina também venceu as edições de 1975 e 1995 em Quito, e 1998 em Montevidéu. O time feminino conquistou diversas vezes a competição: em Lima em 1968 e 1976; em La Paz em 1977; em Assunção em 1979; na Colômbia em 1983; em Buenos Aires em 1984; Guaiaquil em 1985; Lima em 1986; e em La Paz em 1987.

No Sul-americano Juvenil, a equipe ``Três Marias``, formada por Maria Cândida Hannemann, Maria Priscila Iida e Maria Francisca de Orleans e Bragança, venceu no Gávea (RJ), em 1997.

No Campeonato Mundial por Equipes (World Amateur Team Championship) a primeira participação foi no Royal and Ancient Golf Club of St. Andrews, Escócia, em 1958. A equipe foi formada por Humberto Almeida, Raul Borges, Sylvio Pinto Freire Jr. e João Barbosa Correa, capitaneada por Seymour G. Marvin. O Brasil não venceu, mas entrou para a história do campeonato com a vitória de Seymor na Delegate and Duffers Cup (Copa Delegados e Oficiais).

A melhor classificação do país no Mundial por equipes foi em 1974, quando a equipe brasileira teve Jaime Gonzalez, Ricardo Rossi, Priscillo Diniz e Rafael Navarro, e ficou em 3º lugar, entre 35 países, em Cajuiles, na República Dominicana, tornando-se o primeiro país de idioma não inglês a ganhar medalha.

No feminino, a melhor colocação foi 3o lugar no Algarve, em Portugal, em 1976, onde participaram 25 países, e a equipe tinha Laura Maria dos Santos, Maria Alice Gonzalez e Elisabeth Noronha.

ASSOCIAÇÃO E CONFEDERAÇÃO

O golfe brasileiro ganhou uma entidade quando surgiu a idéia de realizar o primeiro Campeonato Mundial Masculino por Equipes. Representantes do Royal & Ancient Golf Club of St. Andrews e da United States Golf Association reuniram-se em Washington, em 1957, para organizar o primeiro Campeonato Mundial por Equipes e o Brasil foi convidado a participar através de Seymour G. Marvin, na época único brasileiro sócio de St. Andrews.

Só poderiam participar países que tivessem uma entidade oficial nacional. Como o Brasil só tinha clubes, Seymour fundou no Rio de Janeiro, em 1958, com auxílio dos drs. Oswaldo Aranha Filho e Carlos Borges, a ABG – Associação Brasileira de Golfe, garantindo assim a presença do país no Mundial. Borges assumiu a presidência e Seymour foi o primeiro vice-presidente.

A Austrália ganhou o primeiro Mundial, num playoff emocionante com os Estados Unidos, no buraco 18, com birdies fantásticos de Bruce Devlin, de 18 pés, e Robert Stevens, de 8 pés. No primeiro dia, a Austrália chegou a ficar 17 tacadas atrás da Grã-Bretanha - Irlanda. A tacada de abertura do Mundial foi dada pelo venezuelano Guillermo Behrens.

Em 1960 a ABG foi transferida para São Paulo, por ser o estado com maior número de campos, o que facilitaria a administração do esporte. Nessa época, a ABG foi presidida por Júlio da Cruz Lima que cuidava da organização das equipes que representavam o país e conseguia importar tacos e bolas de golfe com isenção alfandegária, conforme a legislação vigente, para distribuição aos clubes filiados. Após Júlio da Cruz Lima, a entidade foi presidida por Seymour Marvin, seguido por Jesse Rinehart Jr..

Só dois países, Brasil e Estados Unidos, participaram de todos os campeonatos mundiais masculinos. Cada país participa com uma equipe de quatro jogadores que joga 72 buracos, sendo computados apenas os três melhores scores individuais de cada dia e descartado o pior score. A equipe vencedora é a que termina os 72 buracos com o menor número de tacadas. No masculino, o prêmio é o Eisenhower Trophy e no feminino o Espirito Santo Trophy.  Em 1964, foi criado o Campeonato Mundial Feminino, mas o Brasil só participou a partir de 1966.

Cinco anos mais tarde, Jesse Rinehart Jr. teve atuação importante para transformar a ABG na atual CBG – Confederação Brasileira de Golfe, ao criar a terceira Federação Estadual, no Rio de Janeiro, após a fusão dos Estados do Rio de Janeiro e Guanabara.

Segundo a legislação, para fundar uma Confederação havia necessidade de três federações estaduais e, até então, só existiam as Federações Paulista e Rio Grandense. A fundação da Federação do Rio de Janeiro viabilizou a existência da Confederação, que é responsável pelo esporte no país.

Jesse permaneceu na presidência até 1979. Nos anos seguintes ocuparam o posto Luiz Nardy, Hélio Andrade, Luiz Arthur Caselli Guimarães, Waldir Ribeiro de Lima, D. Eudes de Orleans e Bragança e Luiz Arthur Caselli Guimarães Filho, até 2002.

PGA EUROPEAN TOUR NO BRASIL

O ano de 2000 marcou a realização pela primeira vez no país de dois torneios do PGA European Tour, um no Itanhangá, - o Brasil 500 Anos Open Rio de Janeiro, com prêmio de US$ 650 mil, e o segundo no São Paulo Golf Club, o Brasil 500 Anos Open São Paulo, no São Paulo Golf Club, com prêmios de US$ 750 mil. Em 2001, o torneio foi realizado apenas em São Paulo, com prêmios de US$7 50 mil.

 
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